
Aos poucos eles vão chegando, a concentração começa cedo. Os primeiros cânticos são ouvidos e logo se tem a sensação de estar na arquibancada ou na geral do Mineirão em dia de clássico. Há setenta anos é assim. O Bar do Salomão é o ponto de encontro dos atleticanos no bairro Serra, em Belo Horizonte.
O ambiente é todo decorado com quadros, reportagens sobre o estabelecimento, fotos de jogadores e torcedores. Esses objetos foram doados ao longo do tempo por amigos e fregueses para nutrir a paixão do seu fundador, Salomão Jorge. “Meu pai foi colocando pelas paredes e quando assustou o bar estava todo estilizado, virou o bar dos atleticanos”, conta Salomão Jorge Filho, atual proprietário.
O bar pertence à família Salomão desde o início. Nunca trocou de nome ou endereço. Nele, é comum depararmos com jogadores e torcedores famosos, como o jornalista Ricardo Galuppo, autor do livro Raça e Amor – A saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada. Ele afirma: “Quando estou em BH e o Galo não joga no Mineirão, venho para cá. Parece o Bar 28”. Aliás, essa sensação de se estar no estádio é que atrai a maior parte dos clientes.
Em dia de jogos, três televisores são disponibilizados. Dois dentro do bar e outro ao ar livre, para atender ao público das mesas que ficam na calçada e aos transeuntes em geral, que se acomodam como podem, seja em pé ou sentados na própria calçada. Mas engana-se quem pensa que isso pode causar alguma confusão. O ambiente é saudável e o clima é de cordialidade, onde todas as torcidas são respeitadas. Com predominância da alvinegra, é claro.
O petisco campeão de pedidos é o charutinho com quibe cru, prato criado por Salomão Filho, na ocasião do concurso Comida di Buteco, em 2003. Questionado se tem problemas com seus vizinhos em dias de jogos, ele relata um caso curioso: ao fechar o bar após a transmissão de um jogo, esqueceu de guardar a tv que fica na área externa. Só percebeu o ocorrido quando foi alertado por uma vizinha às 7h do dia seguinte. O detalhe é que o aparelho permaneceu no mesmo local, ninguém mexeu. E completa aos risos: “Não tenho problemas além do normal de qualquer dono de bar, mas os poucos que reclamam são cruzeirenses”.
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