Mistérios noturnos, fatos curiosos, histórias de arrepiar nem sempre fazem parte do cotidiano dos cemitérios ou mesmo das pessoas que neles ganham a “vida”. Prestar a última homenagem a uma pessoa querida não tem preço e a forma de colocá-la em prática é muito variada. Os cemitérios das grandes cidades estão menos assombrados e cada vez mais valorizados em virtude da sua arquitetura.
No cemitério do Bonfim, por exemplo, podemos apreciar túmulos que são considerados verdadeiras obras de arte. Escultores marmoristas deixaram registrados, em pedras, magníficos exemplares de arte tumular, destacando-se os trabalhos criados pelos irmãos Natali e por João Amadeu Mucchiut.

Vaso de flor no cemitério do Bonfim. Exemplo de arte tumular, criado pelos irmãos Natali e por João Amadeu Mucchiut.
Fundado oficialmente em 12 de outubro de 1897, final do século XIX, o cemitério do Bonfim localiza-se no bairro de mesmo nome, em Belo Horizonte. Comporta, nos seus 172 mil metros quadrados, cerca de 17 mil sepulturas e 200 mil corpos. Aproximadamente 40% do total de túmulos são em “Arte Fúnebre”: peças em esculturas, bustos e imagens.
Algumas dessas obras preservam as histórias de várias celebridades e instituições do nosso estado. Destacam-se, dentre outros, os mausoléus da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e dos ex-governadores de Minas Gerais: Olegário Maciel, Bias Fores e Raul Soares. No Bonfim encontra-se, também, o túmulo do padre Eustáquio, cujos restos mortais foram transferidos para igreja de mesmo nome.
De acordo com o encarregado de serviços do cemitério, Luís Carlos Zaidan, 51 anos, dos quais, 26 trabalhando no cemitério, o valor investido na ornamentação e decoração de sepulturas é bem alto: “Há pessoas ou famílias que gastam mais de 50 mil reais e constroem verdadeiras residências. Eu estou tentando construir a minha casa e até hoje não consegui. Tem muita gente viva que não tem onde morar”.
Uma simples escultura representando a imagem de Jesus Cristo pode variar entre 5 a 20 mil reais. As peças são fabricadas artesanalmente. Um funcionário, que preferiu não se identificar, disse que toda essa homenagem é apenas uma forma de ostentar ou demonstrar poder econômico. Ele comenta ainda que, se esse dinheiro fosse investido em obras sociais, teria melhor proveito.
Curiosidades
Alguns fatos históricos marcam a história do cemitério do Bonfim. Um dos que chama a atenção é o sepultamento do ex-jogador do Cruzeiro, Roberto Batata, morto em um acidente automobilístico em 1976. Na ocasião, o cemitério ficou super lotado. As pessoas passavam por cima das sepulturas, subiam em árvores, pulavam os muros, tudo para dar o último adeus ao ídolo celeste. Deram, também, muito trabalho aos seguranças.
Outra história curiosa é o túmulo 26 da quadra 36, onde está sepultado o corpo de uma criança conhecida como “Menina Marlene”, tida como santa. O túmulo recebe visitas há mais de 15 anos. São pedidos de bênçãos, promessas e declarações em agradecimentos pelas graças alcançadas. Na quadra 09, laje 145, estão os restos mortais de irmã Benigna. Em sua homenagem, são celebradas, toda segunda-feira, novena e missa. Sempre às 15 horas. Entre 100 e 500 pessoas participam das celebrações. No local existem placas demonstrando a realização de milagres e graças alcançadas.
Os anos 80 também marcaram a história de Belo Horizonte com a “Loira do Bonfim”. Segundo Zaidan, que já trabalhava no cemitério, as pessoas evitavam passar pela região à noite, com medo de se encontrarem com ela. “Na verdade tudo não passou de mito. Na época, um taxista, que era casado, estava traindo a mulher e, para se livrar da amante sem que ninguém percebesse, a deixou em frente ao cemitério e isso já era quase meia noite. Em seguida, alguém passou pelo local e se deparou com uma loira de quase dois metros de altura, se assustou e daí a criação dessa história”, relatou.
O cemitério do Bonfim pertence à Prefeitura de Belo Horizonte. Seu necrotério foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) no decreto nº 18531, em 02/06/77.
Necrotério do cemitério do Bonfim
Confira também a exposição sobre a arte funerária do cemitério do Bonfim, na Biblioteca Pública de Belo Horizonte. A entrada é franca.
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